Como identificar o autismo na vida adulta?
- Rafaella Cysne
- há 11 minutos
- 2 min de leitura

Durante muitos anos, acreditou-se que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) era identificado apenas na infância. Hoje, sabe-se que muitas pessoas chegam à vida adulta sem diagnóstico, principalmente aquelas que desenvolveram estratégias para compensar suas dificuldades ao longo da vida.
Isso não significa que o autismo surgiu na fase adulta, mas que suas características passaram despercebidas ou foram atribuídas a outras condições, como ansiedade, TDAH ou timidez.
Quais sinais podem estar presentes?
Embora cada pessoa apresente um perfil único, alguns sinais frequentemente observados em adultos com TEA incluem:
- dificuldade para compreender regras sociais implícitas;
- sensação de precisar "ensaiar" conversas ou interações sociais;
- necessidade intensa de previsibilidade e rotina;
- desconforto diante de mudanças inesperadas;
- hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, cheiros, texturas ou alimentos;
- interesses específicos e intensos, acompanhados de grande aprofundamento sobre determinados temas;
- sensação constante de ser "diferente" ou de precisar esconder características para se adaptar aos outros (camuflagem social ou masking).
É importante destacar que nenhum desses sinais, isoladamente, confirma um diagnóstico de autismo.
Por que o diagnóstico pode demorar?
Adultos com TEA, especialmente aqueles sem deficiência intelectual e com linguagem preservada, frequentemente desenvolvem estratégias de adaptação social ao longo da vida. Esse processo, conhecido como camuflagem social (masking), pode reduzir a percepção externa das dificuldades, mas costuma exigir grande esforço cognitivo e emocional.
Além disso, muitas características do autismo se sobrepõem às de outros transtornos, como TDAH, ansiedade social e transtornos de humor, tornando a investigação diagnóstica mais complexa.
Como é feita a investigação?
O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico e deve ser realizado por profissionais capacitados. A investigação inclui entrevista clínica, análise da história do desenvolvimento desde a infância, observação do funcionamento atual e, quando indicado, avaliação neuropsicológica.
A avaliação neuropsicológica fornece informações importantes sobre o perfil cognitivo, funções executivas, atenção, memória, linguagem, cognição social e outras habilidades que contribuem para o diagnóstico diferencial e para o planejamento das intervenções.
Identificar o autismo na vida adulta não significa apenas dar um nome às dificuldades vividas ao longo dos anos. Também permite compreender melhor a própria forma de funcionamento, reconhecer potencialidades e direcionar estratégias mais adequadas para o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Referências
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR). 2022.
- Lord C, Brugha TS, Charman T, et al. Autism spectrum disorder. Nature Reviews Disease Primers. 2020.
- Hull L, Petrides KV, Allison C, et al. "Putting on My Best Normal": Social Camouflaging in Adults with Autism Spectrum Conditions. Journal of Autism and Developmental Disorders. 2017.
- Conselho Federal de Psicologia. Neuropsicologia: Ciência e Profissão. 2023.
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