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Como saber se tenho TDAH ou ansiedade?

  • Rafaella Cysne
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

É comum que pessoas com dificuldade de concentração, esquecimentos, procrastinação ou sensação de "mente acelerada" se perguntem se esses sintomas são causados pelo TDAH ou pela ansiedade. A resposta, porém, nem sempre é simples.


Essas condições compartilham diversas manifestações clínicas, mas apresentam mecanismos diferentes e, consequentemente, exigem abordagens distintas.


O que diferencia o TDAH da ansiedade?


No TDAH, a dificuldade de atenção ocorre por alterações no funcionamento das funções executivas — conjunto de habilidades responsáveis pelo planejamento, organização, controle inibitório, memória de trabalho e autorregulação. Essas dificuldades costumam estar presentes desde a infância, mesmo que só passem a causar prejuízos significativos na vida adulta.


Já nos transtornos de ansiedade, a atenção geralmente é prejudicada porque os recursos cognitivos ficam direcionados para preocupações constantes, antecipação de ameaças ou sintomas físicos de ansiedade. Ou seja, a pessoa consegue prestar atenção, mas sua mente permanece ocupada por pensamentos ansiosos.


Por que os sintomas podem parecer iguais?


Imagine duas pessoas que esquecem compromissos com frequência.


Uma delas esquece porque tem dificuldade em organizar informações, planejar a rotina e manter a atenção nas tarefas — um padrão frequentemente observado no TDAH.


A outra esquece porque está constantemente preocupada, ruminando problemas ou antecipando situações futuras, reduzindo sua capacidade de concentrar-se no momento presente — um padrão compatível com quadros de ansiedade.


O comportamento é semelhante, mas a origem é diferente.


É possível ter TDAH e ansiedade ao mesmo tempo?


Sim. Estudos mostram que os transtornos de ansiedade estão entre as comorbidades mais frequentes do TDAH em adolescentes e adultos. Nesses casos, os sintomas podem se intensificar mutuamente, tornando o diagnóstico mais complexo e reforçando a importância de uma investigação cuidadosa.


Como descobrir o que realmente está acontecendo?


O diagnóstico não pode ser feito apenas pela presença de sintomas isolados ou por listas encontradas na internet.


A investigação envolve entrevista clínica, análise da história do desenvolvimento, levantamento dos prejuízos funcionais e, quando indicado, avaliação neuropsicológica. Esse processo permite compreender não apenas quais sintomas estão presentes, mas por que eles ocorrem, diferenciando TDAH, ansiedade, outras condições clínicas ou a coexistência entre elas.


Essa distinção é fundamental, pois tratamentos diferentes podem ser indicados para quadros que, à primeira vista, parecem muito semelhantes.


Referências


- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR). 2022.

- Barkley RA. Attention-Deficit Hyperactivity Disorder: A Handbook for Diagnosis and Treatment. 4ª ed. Guilford Press, 2015.

- Conselho Federal de Psicologia. Neuropsicologia: Ciência e Profissão. 2023.

- Kooij JJS et al. Updated European Consensus Statement on diagnosis and treatment of adult ADHD. European Psychiatry, 2019.

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